post-modern portrait
Outubro 12, 2009
Uma vida em cima do muro.
Em um dia, tem crise existencial. No outro, sofre ataques severos de niilismo.
Em um minuto conhece o inferno e o céu.
Acredita. Não acredita mais.
Atira-se para todos os lados: de meio dia é vegetariana e de noite come carne assada.
Num dia, sibutramina-jejum-academia. Noutro, overdose de chocolate e dedo na goela.
Vive entre desejar profundamente a morte e querer-se bem, viva.
Entre achar que nada nunca vai ser do jeito que quer e esgotar todas as forças para que sejam.
Entre querer que QUALQUER COISA aconteça e implorar para que NADA mais aconteça, nunca mais.
Entre sair de casa e mudar-se para o quarto da mãe…
Querer e não querer mais.
Gritar pro mundo o que sente. Abafar tudo até que desapareça.
Ataque consumista. Ataque filantrópico.
Desespero. Calmaria.
Pedir demissão, trancar o curso e vender pamonha na praia – ou arranjar um emprego extra, fazer mais um curso, ocupar todo o tempo que existe com coisas desgastantes que impeçam a mente de pensar no que quer que seja que se pense.
Um dia rock’n'roll, no outro bossa nova.
Dramin pra dormir, café pra acordar.
Fluoxetina pra não cometer um homicídio, energético pra manter os olhos abertos.
Entre o comunismo e uma lata de coca.
Entre querer salvar o mundo e explodí-l0.
Crise de choro, ataque de riso.
Não consegue mais se decidir.
Não sabe mais se definir.
É seu fim.
É apenas seu começo…
Outubro ou nada
Outubro 4, 2009
“Outubro ou Nada!Dêem-nos os mastros das suas bandeiras e nós dançaremos o limbo! Façam as luzes piscar, aumentem o volume do som; cochiche no ouvido de alguém ou acomode-se na poltrona para assistir-nos dançando. Que tal um happening na quinta a tarde? Escreva cartas para pessoas que você não vê há anos e as convide para ficar na minha casa. Estarei arrumando os móveis, estarei limpando tudo, estarei a vontade. Arranje um mapa da cidade e tente não seguí-lo. (…) Vive le flesh nouveau! Vá as compras. Mas não pague! Dê mais risadas. Passe mais tempo nu. Trepe nas ruas. Celebre todos os feriados de todos os lugares e todas as culturas. Chore mais, mas chore bem. Falsifique bilhetes de loteria. Longa vida à nova carne! Queremos um shopping center que não sirva para nada (e que tenha o formato e aparência de uma baleia gigante – tanto por fora quanto por dentro), onde os cinemas projetem a programação diária dos canais de televisão aberta e que sejam caros. Queremos um viaduto que leve seus usuários para um passeio aprazível e fique dando voltas. Por que os cientistas não inventam robôs para a Cidade? É, um robô, de uns 60 ou 100 metros de altura, programado para ficar passeando pela Cidade o tempo inteiro, em moto-contínuo, programado para nunca pisar em cima das pessoas, mas determinado a assustar todos os cidadãos, tirando raspões. Compre um disco dos Replicantes para dar para alguém, hoje. Um museu em homenagem aos cupins. Um museu em homenagem aos cupins. Uma casa só pra ti. Pra quê? Escreva “este será o seu fim” em todo bilhete de loteria que passar pela sua mão. Junte vários, os distribua na frente do hospital de clínicas. Esteja sorrindo. Outubro ou nada!”
hoje
Setembro 24, 2009
“Feito febre, baixava às vezes nele aquela sensação de que nada daria jamais certo, que todos os esforços seriam para sempre inúteis, e coisa nenhuma de alguma forma se modificaria. Mais que sensação, densa certeza viscosa impedindo qualquer movimento em direção à luz. E além da certeza, a premonição de um futuro onde não haveria o menor esboço de uma espécie qualquer não sabia se de esperança, fé, alegria, mas certamente qualquer coisa assim. Eram dias parados, aqueles. Por mais que se movimentasse em gestos cotidianos – acordar, comer, caminhar, dormir, dentro dele algo permanecia imóvel. Como se seu corpo fosse apenas a moldura do desenho de um rosto apoiado sobre uma das mãos, olhos fixos na distância. Seu maior medo era o destemor que sentia. Íntegro, sem mágoas nem carências ou expectativas. Inteiro, sem memórias nem fantasias. Mesmo o não-medo sequer sentia, pois não-dar-certo era o natural das coisas serem, imodificáveis, irredutíveis a qualquer tipo de esforço.”
[With the birds I'll share this lonely view]
Setembro 12, 2009

Alpes Suínos, por Nessa Triches
março/09
[Scar tissue that I wish you saw] As estrelas no céu se confundem com as luzes da cidade ao fundo. E o ar gelado que respiro se confunde com o frio agudo que me sufoca a alma. Confundo até mesmo o aperto na boca do estômago com o peso que sinto no peito e o gosto amargo da vodca com o da dor (também amarga) que sinto… [Close your eyes and I'll kiss you, cause...] Do alto dá pra ver a cidade iluminada, bem diferente de algumas das caras aqui em cima (um casal abraçado desfeito pelo tempo, casais distantes abraçados pelo tempo, gentes infelizes por não serem um casal, gente bêbada saltitante destoando das outras gentes que me parecem extremamente tristes…). E nem mesmo o mais sincero dos abraços conforta ou faz essas nuvenzinhas negras de chuva sumirem de cima da minha cabeça. [With the birds I'll share...] Sinto-me completamente perdida – como um forasteiro que não entende as placas que o levariam exatamente onde quer chegar, mas estão escritas numa língua desconhecida. A música segue… [With the birds I'll share this lonely view] Vontade de chorar, de correr e gritar até perder as forças, de sumir, abraçar forte esse vento frio que me rodeia e que pesa tanto em mim… seguir pra onde ele for…
O ‘violeiro’ agora toca pink floyd. Minha alma paralisa. Um amigo brinca dizendo que estamos mais perto do céu e que Jesus Cristo vai voltar.
Eu, que nem sei no que acredito, só espero que essa dor passe…
“porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei (…) para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida…”
só quem mora em Chapecó entende…
Agosto 26, 2009
andando pelo novo calçadão tive uma crise existencial seríssima: óh, céus, e agora, estou na rua ou na calçada?
(se tem uma coisa que eu nunca vou entender são as prioridades de um político)
espaço branco
Agosto 12, 2009

...
maio/09
Aconteceu numa noite de inverno. Apesar de não estar muito frio, congelou. E no vendaval de palavras que veio depois, esfacelou-se no ar… Seus pedaços espalharam-se pela cidade e sua alma não tinha mais um espaço para existir. Por um bom tempo, sumiu. E neste tempo, não fez nada além de vagar por aí, buscando as peças do quebra-cabeças que formou de si. Vezenquando encontrava uma aqui, outra ali e, com muito esforço, depois de sabe-se lá quanto tempo, conseguiu encaixá-las… Para a surpresa de todos, ressurgiu, ainda que aos poucos…
Mas no desenho de seu novo “eu” recém feito ainda falta uma peça, bem no centro do peito. No lugar desta, um buraco vazio e feio, um espaço branco onde nada se encaixa.
O blog mudou de nome.
E nenhuma dessas bundas ali em cima é minha…
Novos post(e)s serão acesos em breve!
” (…)
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás nã há nada,
e nada mais”
“No alarms and no surprises, please”
Junho 16, 2009
“A heart that’s full up like a landfill
A job that slowly kills you
Bruises that won’t heal”