setembro 10, 2011

08.03.2009

Empurrando o ponteiro do relógio com a pança, torcendo pra chegar sexta-feira, pra chegar abril, pra chegar alguém…

setembro 10, 2011

08.2010

É engraçado pensar que um dia não seremos nada. Não sei se deixa de ser ou se se passa a ser qualquer coisa. Acho que desde sempre somos apenas uma espécie de poeira que o vento arrasta de um canto  pro outro, à gosto ou contragosto, nem sempre se pode escolher. E não entendo pra que tanto nessa vida, se poeira é só poeira…

A vida fica tão clara e simples de vez em quando que tenho vontade de rasgar meus documentos, tacar fogo em dinheiros alheios, tirar pessoas estranhas pra dançar, convidar a vizinha pra almoçar na casa de alguém que eu não conheço e nem me convidou.

Tenho dó de mim quando sinto meu coração apertado por alguma coisa que não vale nada. Poucas coisas valem alguma coisa. Aliás, não sei porque chamo tudo de coisa. Aliás, tenho sido muito mais feliz com coisas que não se explicam, portanto, prefiro não saber.

01.2011

setembro 10, 2011

Ando dormindo com caneta e papel no colo. Todas as noites antes de dormir, religiosamente, cato pela casa uma caneta e um caderno, caderneta, bloquinho, boleto não pago, comprovante de saque do banco, qualquer coisa com um lado ou cantinho em branco que possa ser rabiscado.

Vêm sendo assim minhas noites. Pouco antes de dormir começo a sentir algo inquietante e perco minutos, até horas antes do sono chegar, caneta e papel na mão, sentindo algo entalado na garganta, alguma coisa que vai sair a qualquer momento, mas não sai.

vida escr(0)ita

setembro 10, 2011

06.05.2009

escrevo sempre que tenho vontade de falar

escrevo sempre que tenho vontade de chorar

escrevo sempre que tenho vontade de rir

enquanto escrevo a vida vai passando por mim

Arnaldo

setembro 10, 2011

09.08.2010

Tomei meu café com leite e canela e, lavando os pratos que se acumularam por dias, talvez semanas, chorei. Nunca gostei de afazeres domésticos, mas o motivo de meu choro não foi a louça suja em si. Enquanto esfregava os pratos, vieram-me à mente pessoas, situações, cenas de filmes, trechos de músicas, poesias e tudo que havia de mais triste no mundo inteiro, em todos os tempos, me doeu naquele instante.

Senti-me todas as mocinhas desafortunadas pelo destino, sem amor; todas as crianças órfãs; todos os homens que lutam por uma causa perdida; todos os que têm tudo, materialmente, e sentem o vazio de não ter uma alma – ou qualquer coisa equivalente; todos os que tiveram sua dignidade roubada; os que sofrem por qualquer motivo, o mais tolo dos motivos, qualquer um: a menina que derruba o sorvete na areia da praia; a mãe que vê o filho partir; o pai que tem contas a pagar, o bolso vazio, o copo cheio…

Senti-me todos os sofredores de todos os tempos e chorei por eles e suas dores. Sentei-me sob o olhar de Arnaldo, o gato negro que gostava do meu quarto – e por inúmeras vezes, fora minha única companhia – e chorei. Sabe-se lá o que se passa na cabeça de um gato, se é que se passa. Se se passasse, Arnaldo pensaria: Coitada da moça que pega emprestados motivos para chorar e poder fingir que tem alguma emoção na vida.

cor de vinho

setembro 10, 2011

06.2009

E essas palavras todas fugindo de mim. Saem pelas minhas orelhas, pela ponta dos meus dedos, escapam pela minha boca, saltando da minha língua para o ar sem pedir permissão. Minhas palavras estão roxas e não consigo contê-las.

novembro 14, 2009

“‘I wish I hadn’t cried so much!’ said Alice, as she swam about, trying to find her way out. ‘I shall be punished for it now, I suppose, by being drowned in my own tears! That will be a queer thing, to be sure! However everything is queer today.'”

post-modern portrait

outubro 12, 2009

Uma vida em cima do muro.

Em um dia, tem crise existencial. No outro, sofre ataques severos de niilismo.

Em um minuto conhece o inferno e o céu.

Acredita. Não acredita mais.

Atira-se para todos os lados: de meio dia é vegetariana e de noite come carne assada.

Num dia, sibutramina-jejum-academia. Noutro, overdose de chocolate e dedo na goela.

Vive entre desejar profundamente a morte e querer-se bem, viva.

Entre achar que nada nunca vai ser do jeito que quer e esgotar todas as forças para que tudo seja.

Entre querer que QUALQUER COISA aconteça e implorar para que NADA mais aconteça, nunca mais.

Entre sair de casa e mudar-se para o quarto da mãe…

Querer e não querer mais.

Gritar pro mundo o que sente. Abafar tudo até que desapareça.

Ataque consumista. Ataque filantrópico.

Desespero. Calmaria.

Pedir demissão, trancar o curso e vender pamonha na praia – ou arranjar um emprego extra, fazer mais um curso, ocupar todo o tempo que existe com coisas desgastantes que impeçam a mente de pensar no que quer que seja que se pense.

Um dia rock’n’roll, no outro bossa nova.

Dramin pra dormir, café pra acordar.

Fluoxetina pra não cometer um homicídio, energético pra manter os olhos abertos.

Entre o comunismo e uma lata de coca.

Entre querer salvar o mundo e explodí-l0.

Crise de choro, ataque de riso.

Não consegue mais se decidir.

Não sabe mais se definir.

É seu fim.

É apenas seu começo…

Alpes Suínos, por Nessa Triches

Alpes Suínos, por Nessa Triches

março/09

[Scar tissue that I wish you saw] As estrelas no céu se confundem com as luzes da cidade ao fundo. E o ar gelado que respiro se confunde com o frio agudo que me sufoca a alma. Confundo até mesmo o aperto na boca do estômago com o peso que sinto no peito e o gosto amargo da vodca com o da dor (também amarga) que sinto… [Close your eyes and I’ll kiss you, cause…] Do alto dá pra ver a cidade iluminada, bem diferente de algumas das caras aqui em cima (um casal abraçado desfeito pelo tempo, casais distantes abraçados pelo tempo, gentes infelizes por não serem um casal, gente bêbada saltitante destoando das outras gentes que me parecem extremamente tristes…). E nem mesmo o mais sincero dos abraços conforta ou faz essas nuvenzinhas negras de chuva sumirem de cima da minha cabeça. [With the birds I’ll share…] Sinto-me completamente perdida – como um forasteiro que não entende as placas que o levariam exatamente onde quer chegar, mas estão escritas numa língua desconhecida. A música segue… [With the birds I’ll share this lonely view] Vontade de chorar, de correr e gritar até perder as forças, de sumir, abraçar forte esse vento frio que me rodeia e que pesa tanto em mim… seguir pra onde ele for…

O ‘violeiro’ agora toca pink floyd. Minha alma paralisa. Um amigo brinca dizendo que estamos mais perto do céu e que Jesus Cristo vai voltar.

Eu, que nem sei no que acredito, só espero que essa dor passe…

setembro 6, 2009

“porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei (…) para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida…”